A artista brasileira Rosana Paulino, ao pesquisar imagens de pessoas escravizadas nos arquivos coloniais, escreve em uma de suas obras a frase: Atlântico Vermelho. Com isso, imediatamente pensamos na teoria de Paul Gilroy, que havia usado o termo: Atlântico Negro. Nas relações entre as cores vermelho e negro, percebemos tanto a vinculação do Oceano Atlântico com a história dos africanos quanto o trauma e as dores sangradas na vida de seus descendentes, ainda hoje. Em ambas as expressões residem referências à diáspora afro-atlântica, de deslocamentos de populações inteiras sequestradas em diversos países da África para a maior empreitada de exploração e apropriação subjetiva e econômica perpetrada contra a cultura africana por todo o mundo.
Hoje, vivemos as mazelas dessa necropolítica, considerada por autores como Achille Mbembe, uma política da morte necessária para manter a desigualdade mundial e o capitalismo.
Artistas retomam as imagens transatlânticas para renomear, denunciar e trazer a história para as mãos de quem teve seus ancestrais traficados para diversos países e continentes.